Neverland não não também não

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sob a Tenda




  Ela deitava-se sobre ele e nunca se sentira mais confortável. Ele passava os dedos pelas cabelos negros e longos da moça.

  - Conte-me uma história. – disse.

  Ela sorriu e beijou seu rosto. Adorava lhe contar histórias. Olhou para a parte superior da tenda em que se encontravam e fez um esforço para procurar uma boa história.

  - Vou ficar muito feliz em lhe contar a história dos Meninos Bobos. – ela sorriu inocentemente.

  - São bobos como a moça dos meus olhos? – ele perguntou com sua voz grossa e retumbante.

  - Não. São muito bobos. Eu nunca faria algo tão bobo quanto eles.

  - O que fizeram?

  - Eram quatro irmãos. A mãe deles os presenteou com bolinhas doces, mas que não eram para ser comidas, pois elas eram apenas as moedas de troca para que pudessem ganhar alimento de verdade depois. Cada um ganhou uma bolinha de cada cor e deveriam guardar até que a mãe voltasse. O primeiro irmão escondeu a sua enterrando-a e depois não conseguiu mais achar. O segundo adiantou-se em tomar a bolinha do terceiro. Este último ficou muito triste ao perceber que a tinha perdido. E o quarto irmão simplesmente a comeu. – ela voltou sua atenção para seu amado, e viu que ele quase pegava no sono. – Pois assim não conto mais!

  - Histórias são para dormir. – ele protestou.

  - Mas você só pode dormir quando eu terminar de contar! Não seja um menino bobo.

  - Então continue, criança. – ele apertou as bochechas dela para que ela não ficasse chateada com ele.

  - Certo. – ela se ajeitou sobre as almofadas e se preparou para prosseguir. – Então, os irmãos que ficaram sem conversaram entre si e decidiram contar a verdade para a mãe. Porém, o que ainda tinha a sua e mais a que tinha roubado do irmão, propôs que eles fossem ao mercado roubar mais bolinhas doces. Os irmãos ficaram um pouco confusos, mas obedeceram ao irmão. Quando chegaram lá e estavam prestes a roubar, o irmão mais novo parou os outros. Ao ver aquele gesto, um homem de boa índole ficou comovido e distribuiu muitas bolinhas doces para cada um deles. E o coração do irmão que havia roubado a bolinha do outro e achado a que o outro havia escondido amoleceu, e ele devolveu o que havia tomado. Quando a mãe chegou, eles puderam comprar comida para dias seguidos, e eles aprenderam a nunca mais pensar em roubar.

  - É meio irônico me contar essa história, menina. – o homem disse, ciente de sua situação como ladrão.

  - A moral da história não é que você tem que parar de roubar. É que um gesto de arrependimento e caridade pode tornar as coisas melhores. – ela acariciou o seu braço.

  - Você é uma menina boa demais para alguém como eu.

  - Eu até lhe daria bolinhas doces, mas não as tenho.

  - Tenho você, e isso é melhor que qualquer outra coisa.

  Ele encheu-a de beijos ávidos, fazendo-a rir e se afogar no meio das incontáveis almofadas. Era uma moça de intensa alegria, mas no fundo, ela só queria que seu menino bobo aprendesse a lição do melhor jeito possível. Por isso, ela lhe contaria histórias todas as noites durante toda a sua vida contanto que no final ele aprendesse a moral de alguma história.

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