Neverland não não também não

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Anjo da Música



 

 
  Tudo havia mudado. Christine costumava cantar de forma quase angelical quando era uma criança, mas depois que seu pai se fora, ela perdera tudo. Perdera sua inspiração, sua companhia, seus sonhos, sua voz.

  Mas, há não muito tempo, seu pai cumprira sua promessa e lhe enviara o anjo com o qual ela tanto sonhava. Christine Daaé fora visitada pelo Anjo da Música.


  Ela nunca o vira, mas sempre ouvia sua voz magnífica e nunca se sentira mais grata, e, ao mesmo tempo, amedrontada. Ela não entendia porque tinha medo se ele a auxiliava tanto. O fato de nunca vê-lo a perturbava um pouco e às vezes se perguntava se não era sua imaginação. Porém, quando ela ouvia sua voz era tão real que todas as suas dúvidas esmoreciam. Seu corpo tremia, em um manifesto de alma. Christine era, afinal, como Little Lotte, e o ápice de seu dia era quando dormia e o Anjo da Música cantava para ela. Quando em sonhos ele vinha, onde ela avistava sua silhueta e nada mais.

  Suas noites tornaram-se esplendorosas pela presença do Anjo da Música. Ela almejava ser a própria Noite para que ele sempre estivesse por perto. Christine necessitava ouvir a voz dele chamando-a, falando seu nome. Era apenas assim que toda a sua solidão e tristeza se esvaíam, apenas com ele.

  Quando ela cantava com ele, para ele, por ele, era como se não se reconhecesse, era como se ele a possuísse completamente. E, ao menos no início, assim ela se sentia preenchida. Enquanto cantava, ouvia a voz dele em sua mente, apoiando-a e ajudando-a em um dueto secreto. Fechava seus olhos e deixava a voz escapar, porque enquanto ela cantasse, ele estaria ali: inspirando e guiando o coração dela. E, por ele, cantaria para sempre.

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