Neverland não não também não

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Blue Moon

 

 



  O rio parecia deslocado. Era como se não mais pertencesse àquele lugar, àquela cidade, onde as pessoas o transformavam no que bem queriam, rejeitando sua real natureza. Ainda assim, o homem suspirou. O problema não era o rio. O problema era a solidão.
 
  Os anos se passavam e o rio passara de beleza, para incômodo, para enfim parar na invisibilidade da solidão. Ora, mas se até a natureza poderia ser solitária, por que não ele?

  Parece injustificável que um músico tão adorado, o próprio Rei do Rock, sinta-se solitário. Mas, verdade seja dita, toda solidão é justificável porque ela esta na mente e no ânimo de cada um. Elvis Presley perdera sua mãe fazia dois anos, e poderiam ser dois meses, pois a dor permanecia sempre que lhe lembrava do rosto, dos gestos. Ele não era o mesmo.
 
  Encontrava-se no final de abril, pouco mais de um mês depois de ter retornado de seu serviço no Exército na Europa. Estava de volta à Memphis e tudo parecia um mês de janeiro cheio de recordações e possibilidades. Sob a luz da lua cheia tão cândida e do céu enevoado, ainda que azul, ele sentia se energizar aos poucos. Desejou estar em um lugar mais digno para apreciar o céu e o próprio rio Mississipi, talvez anos e anos antes de descobrirem aquele local. Mas não queria estar sozinho.

  Olhou para A Lua Azul, a segunda lua cheia do mês. Era um fenômeno pouco comum durante o ano e era incrivelmente fascinante, possuía uma aura carregada de magia, quase como se pudesse falar em um idioma muito superior.

  “Lua azul, você me vê aqui sozinho sem ao menos um sonho neste coração, sem um amor para chamar de meu.”

  Ele conversava com ela em seus pensamentos. Era profundo e sem galanteios exagerados, era a verdade em si.

  “Lua azul, você sabe melhor do que ninguém porque estou aqui... Você pode me ouvir rezar por alguém que eu realmente me importe.”

  Com seu coração preenchido de dores e saudades, tudo o que conseguiu imaginar para se curar era um amor que tomasse o devido espaço, que o divertisse e inspirasse. E para quem ele pediria isso além da Lua? Para quem além da Lua Azul?

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