Neverland não não também não

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Escreva sobre o que Viu


 


  Eu adormecera e não mais estava em minha forma física habitual. Tal fato costumava acontecer, mas dificilmente eu me sentia tão confortável em um corpo que supostamente não era meu. Eu aparentava uma moça de singela beleza e alegria cativante no olhar. Eu sentia sua pulsação, sua corrente sanguínea, sua respiração, eu sentia o funcionamento de seu organismo. Mas não apenas isso, eu tinha acesso às suas tristes memórias, a suas lembranças, sofrimentos, pessoas queridas, eu podia sentir e compreender todas as suas sensações e sentimentos. E, principalmente, a sua saudade.
  Desejava confortá-la e torná-la por dentro tão alegre quanto seus olhos expressavam. Era possível concluir que seu olhar não mentia, mas a sua tristeza interior ainda era muito significante. Mas, afinal, como eu poderia curá-la, se eu só estava intrusamente invadindo o seu ser?
  E então, parte de sua história começou a se suceder naquele presente. Dois homens de aparência séria e coração bom se aproximaram, e logo a moça se aproximou deles e iniciou um colóquio. E então, tive a certeza de que a amizade que eles lhe forneceriam seria suficiente para curá-la, para salvá-la. E meu espírito, se aquietou.
  Quando abri os olhos novamente, estava em um ambiente rústico, de um período colonial, o que significava que eu não havia despertado completamente. Ergui-me em minhas vestes leves e claras e caminhei até o espelho, onde vi o reflexo da bela moça.
  - Viste? – ela perguntou em voz doce e maternal.
  - Sim. Desculpe-me se fui invasiva. – respondi.
  - Fizeste e viste o que deveria. Eu preciso que você utilize isso agora.
  - Como poderia?
  - Escreva para o mundo.
  - Nem todos lerão. – meus ombros penderam, sentindo que eu não seria suficiente para ela.
  - Aqueles que necessitam o farão.
  Ela depositou sua mão no espelho, e eu fiz o mesmo, sentindo seu toque. E aquele pequeno choque de afeto, despertou o meu ser.


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