Neverland não não também não

sábado, 5 de setembro de 2015

As Vinhas da Ira








  Como diz o ditado "In Tatiana Feltrin, we trust", mais uma vez, não me decepcionei com a recomendação da mãe dos canais literários. Não é para menos que a obra foi vencedora do prêmio Pullitzer.
  Resumidamente, a produção literária narra a história da família Joad, que perde a posse de sua fazenda para o banco e se vê em uma longa jornada par a Califórnia, em uma nova marcha para o Oeste, em busca de emprego. Entretanto, quando chegam lá, percebem que as coisas não são tão fáceis assim. Os capítulos se intercalam entre a história dos Joad e pensamentos do narrador, que aborda mais o contexto geral da situação.
  Quanto aos personagens, apesar de seguirem muito o estereótipo dos homens e mulheres do interior, há certa originalidade que faz com que o leitor se apegue a pelo menos um deles. Tom acabou de sair da cadeia, mas continua não conseguindo levar desaforo para casa. Al só quer saber de moças e carros. Rosasharn só pensa em seu marido e seu bebê, mostrando-se até mesmo mimada. Avô e Avó só sabem brigar e são completamente opostos. Tio John divide seu tempo em beber e choramingar pelos seus pecados. Casy é um filósofo disfarçado. As crianças são quase bichinhos selvagens. Pai é um homem afetado por toda aquela mudança, na qual sente que perdeu seu papel. E Mãe é a base da família. A jornada deles quase faz com que o leitor se sinta parte deles, pois que se cansa com eles, sente esperança junto a eles. O amadurecimento dos personagens também é algo impressionante, e o exemplo mais claro disso é o de Rosasharn.
  O livro de Steinbeck tem um apelo social muito grande, e é muito tocante perceber a crueldade do "homem rico" sobre o "homem pobre", fato que se repete por tantos milênios. Você vê eles se desdobrarem por um pedaço de terra, um pedaço de pão. Você vê a família se desfazer em nome da sobrevivência.
 
 
 
  Trechos do Livro:
 
 
Driving along old Route 66 you see abandon cars like this in New Mexico, left over from The Great Depression John Steinbeck wrote about in "The Grapes of Wrath."- "Guia o pessoal para onde quiser, mergulha eles na vala de irrigação. Diga que vão todos pro inferno se não pensarem como o senhor. Basta guiar o pessoal, não precisa levar eles pra nenhum lugar determinado."
 
- "Mas, olha, um banco ou uma companhia não podem viver assim, porque estas criaturas não respiram ar, nem comem carne. Eles respiram lucros e alimentam-se de juros."
 
- "Como poderemos viver sem tudo isto que representa a nossa vida? Como poderemos viver sem tudo isso que recorda o nosso passado? Não, deixe tudo. Queime tudo."
 
- "E o mundo inteiro, para ela, estava grávido - pois ela só pensava em gravidez, nas funções da reprodução da espécie e na maternidade."
 
- "A questão não é saber se podemos; a questão é saber se queremos. Quanto a poder, acho que não podemos; mas quanto a querer, a gente querendo faz o que pode." (Mãe)
 
- "Mas o homem da máquina, fazendo rodar um trator morto atrás das terras que ele não amam nem conhece, entende somente de química, desdenha a terra e desdenha a si próprio."
 
- "Tenha-se medo da hora em que o homem não mais queira sofrer e morrer por um ideal, pois que esta é a qualidade-base da Humanidade, é a que o distingue entre tudo no universo."
 
- "Tudo que nos resta é a família, é a nossa união. Não tenho medo de nada, enquanto estivermos todos juntos. Não quero que a gente se separe." (Mãe)
 
- "Sonhos fritos na banha, quando o dinheiro era curto, sonhos tostados e untados com molho."
 
 
Road trip ideas (Picture: Route 66 at Oatman, Arizona during the Grapes of Wrath road trip)
 
 
- "Quando alguém acha graça, tudo para ele é igual; mas quando alguém se sente sozinho e velho, e desconsolado... aí tem medo de morrer." (Casy)
 
- "Se ele precisa de um milhão de acres para se sentir rico é porque ele se sente interiormente danado de pobre, e se ele se sente pobre por dentro não é um milhão de acres que vai fazê-lo sentir-se rico." (Casy)
 
- "Se alguém não tem nada a perder, não precisa rer muita coragem." (Tom)
 
- "Bem, todos acharam que foi um descuido, mas se você pensa que foi pecado, então é porque foi pecado. Pecado é uma coisa que a gente mesmo cria." (Casy)
 
 
-"Ela é uma mulher tão cheia de amor... ela me assusta. Palavra que ela me mete medo." (Casy)
 
- "Eles eram famintos e ferozes. E tinham tido a esperança de encontrar um lar, e só encontraram ódio."
 
- "E, enquanto os californianos desejavam muitas coisas, acumular riquezas, sucesso social, diversões, luxo e uma curiosa segurança bancária, os novos bárbaros só desejavam duas coisas: terra e comida; e para eles as duas coisas se fundiam numa só."
 
- "Morte e terror não os detinham. Como se pode incutir medo em um homem que sente fome não apenas em seu estômago, mas também na barriga torturada dos filhos?"
 
- "Eles não fazem cerimônias contigo. Tu não tem nome nem dinheiro. Vão te encontrar num fosso da estrada, com o sangue já seco na boca e no nariz. Aí, aparece uma só linha no jornal; sabe o que diz? 'Vagabundo encontrado morto'. E só."
 
The Grapes of Wrath III- "É por isso que vivo pensando. Escuto o pessoal falar, e logo ouço o que o pessoal sente. Passo assim o tempo todo. Ouço eles e sinto eles; e eles vivem batendo as asas como pássaros. E quebram as asas numa janela cheia de pó por onde querem escapar." (Casy)
 
- "Não sirvo pra nada, nem pra mim, nem pra ninguém. Já pensei que deveria ir-me embora, sozinho. Só vivo comendo a comida de vocês e tomando o lugar de vocês. E não posso dar nada a vocês em troca." (Casy)
 
- "Precisou sempre juntar três regimentos para bater cem homens de coragem. Sempre foi assim."
 
- "Tu já viu um faisão, firme, lindo, com as pernas tão pintadinhas e até os olhos parecendo pintadinhos? Pois bem, tu levanta a arma e... pum! estragou a coisa mais bonita que tu já viu. Estragou uma coisa que era melhor que tu mesmo. E quando tu começa a comer ele, sente mau gosto, porque tu sente que estragou uma coisa que nunca mais pode consertar."
 
- "As estrelas tão pertinho da gente, e a tristeza, e o prazer tão perto um do outro, a mesma coisa no fundo."
 
- "Há um crime nisso tudo, que não foi denunciado. Há uma tristeza nisso, que o pranto não pode simbolizar. Há um fracasso nisso que opõe barreiras ante todos os sucessos."
 
- "O homem vive saltando degraus... Nasce uma criança e morre um homem, e casa vez que isso acontece é um salto nos degraus da vida... Ele arranja uma fazendinha e perde uma fazendinha, e isso são também saltos. Para a mulher, tudo corre sem parar, que nem um rio; cheio de redemoinhos e turbilhão e pequenas cachoeiras, mas correndo sem parar. É assim que a mulher encara a vida. A gente não se entrega, a gente continua... muda, talvez, um pouco, mas continua sempre firme."

0 comentários:

Postar um comentário

Popular Posts

Quem sou eu

Minha foto
Universitária, leitora ávida, autora nos tempos vagos, amante das artes.
Tecnologia do Blogger.