Resenha de Esquadrão Suicida
Precisei de muita preparação psicológica para escrever essa resenha para que ela não fosse completamente imparcial devido ao meu nível de fangirl pela DC. As opiniões em relação ao filme ficaram bem dividas, uns enchem de elogios e os outros esculhambam. Não é bem por aí. Tem seus lados negativos (que são bem monstruosos) e positivos (que são bem cativantes). Obviamente, vamos começar pelos negativos. Afinal, terminar com um carinho é melhor do que terminar com uma paulada.
Um dos principais problemas foi o seguinte: venderam uma coisa e compramos outra. O primeiro trailer de Esquadrão Suicida - que, particularmente, me levou ao delírio - teve um clima todo sombrio ao som de uma versão de fundo de caverna de I Started A Joke. Os próximos dois já tinham uma pegada completamente diferente. A possível explicação para tal teriam sido as críticas à sobriedade de Batman vs. Superman. Essa mudança de tom se refletiu também em todo o marketing posterior, que ganhou cores fluorescentes - que inclusive foi uma estratégia para chamar a atenção de um público mais jovem - e até na edição do longa metragem.
Quanto aos personagens... Viola Davis interpretou a si mesma (segundo suas próprias palavras), não é novidade. Ficou bom, claramente. Mas até que ponto isso não vai começar a cansar? Batman teve algumas aparições para a alegria de seus fãs, mas a pergunta que não quer calar: aonde ele estava quando a merda tava rolando? (responderam no final dos créditos, mas não me convenceu não) Quem não procurou saber não faz ideia de quem seja Slipknot, e se o sujeito apareceu em seis minutos de filme foi muito. Crocodilo é descrito como um humano que foi tratado como um monstro por assim se parecer e acaba por se tornar um; teria uma interessante abordagem se o cara não fosse esquecido até o clímax. Bumerangue tem um apeguinho estranho com um unicórnio rosa (uma possível tentativa de humaniza-lo ou só mania estranha mesmo?) e, muitas vezes, parece estar incluído só para fazer número. Rick e June são um casal clássico, nada novo. Magia é um tipo de personagem muito diferente do usado normalmente pela DC, talvez devesse ser "guardada" para outro filme. Katana foi outra que ninguém sabe porque apareceu. Ela não é vilã e sua função é proteger um cara que não precisa de proteção. El Diablo tem uma das histórias que mais poderiam ser exploradas e o cara simplesmente fica "apagado" (piada mais infame que mortal). Aliás, só acertaram com ele quando ele fica em sua forma divina, fazendo clara referência às grandes civilizações da américa: mais, incas e astecas. Quanto ao Coringa, com sua participação reduzida a vinte minutos, poderia dizer que não dá pra ter opinião formada sobre. Mas dá sim, meus caros. Dá pra fazer um post inteiro só sobre Os Vinte Minutos de Cena do Coringa em Esquadão Suicida. Mas vou tentar reduzir para me poupar estresse. Gangster abusivo, gosta de causar, não tem o que fazer e fica arrumando faca no chão sem razão, ri sem motivo, tem uma tatuagem na mão que dá um mínimo estilo, meio pornô, andou frequentando smart fitness, veste umas roupas legais e uma dentadura nem tão legal assim. Essa foi a impressão. Se vai melhorar, eis a questão.
Entretanto, o que mais me incomodou foi o roteiro. Tudo bem que deram um prazo de seis semanas para a composição do mesmo, mas isso já é um problema da Warner. A questão começa quando o principal arco problemático do filme é causado justamente pela formação de um Esquadrão que deveria resolver esses problemas. Parece contraditório? Exatamente. A luta do clímax, aliás, parece muito inverossímil dentro do próprio universo: é algo muito grande para uma equipe com habilidades inferiores às do vilão e vilã em questão
Agora, os pontos altos. A trilha sonora feita especialmente para a o filme e as regravadas ficaram excelentes e pareceram muito compatíveis com a proposta do longa. Entretanto, algumas delas não tocaram durante o filme, ficando reservadas só para os créditos, ou tocaram por míseros segundos. Como elas são muito boas, fica perdoado dessa vez, vai. Algumas cenas são muito bonitas, agradáveis de ver mesmo, como por exemplo, a ginástica na cela, o freak show do Coringa, a perseguição de carros, a luta principal do El Diablo etc. Os personagens que roubaram a cena foram o Pistoleiro e a Arlequina. Só não roubaram literalmente porque esse destaque todo foi concedido por uma questão de salários, não é mesmo? E, no geral, o filme é muito divertido. É o tipo de filme que eu reveria várias vezes por puro entretenimento.
Vocês me desculpem por ter metido o pau, pra no final ter falado que gostei à beça. Vocês sabem, a imparcialidade é cruel.

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