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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Poesia da Semana #11




Satânia - Olavo Bilac

Thumb

 






Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rio enorme
De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se, e, mais leve,
Como uma vaga preguiçosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.

Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe... - e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril! - prossegue.
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...
Corre-lhe à flor da pele um calefrio;
Todo o seu sangue, alvoroçado, o curso
Apressa; e os olhos, pela fenda estreita
Das abaixadas pálpebras radiando,
Turvos, quebrados, lânguidos, contemplam,
Fitos no vácuo, uma visão querida...

Talvez ante eles, cintilando ao vivo
Fogo do ocaso, o mar se desenrole:
Tingem-se as águas de um rubor de sangue,
Uma canoa passa... Ao largo oscilam
Mastros enormes, sacudindo as flâmulas...
E, alva e sonora, a murmurar, a espuma
Pelas areias se insinua, o limo
Dos grosseiros cascalhos prateando...

Talvez ante eles, rígidas e imóveis,
Vicem, abrindo os leques, as palmeiras:
Calma em tudo. Nem serpe sorrateira
Silva, nem ave inquieta agita as asas.
E a terra dorme num torpor, debaixo
De um céu de bronze que a comprime e estreita...

Talvez as noites tropicais se estendam
Ante eles: infinito firmamento,
Milhões de estrelas sobre as crespas águas

De torrentes caudais, que, esbravejando,
Entre altas serras surdamente rolam...
Ou talvez, em países apartados,
Fitem seus olhos uma cena antiga:
Tarde de Outono. Uma tristeza imensa
Por tudo. A um lado, à sombra deleitosa
Das tamareiras, meio adormecido,

Fuma um árabe. A fonte rumoreja
Perto. À cabeça o cântaro repleto,
Com as mãos morenas suspendendo a saia,
Uma mulher afasta-se, cantando.
E o árabe dorme numa densa nuvem
De fumo... E o canto perde-se à distância...
E a noite chega, tépida e estrelada...

Certo, bem doce deve ser a cena
Que os seus olhos extáticos ao longe,
Turvos, quebrados, lânguidos, contemplam.
Há pela alcova, entanto, um murmúrio
De vozes. A princípio é um sopro escasso,
Um sussurrar baixinho.. . Aumenta logo:
É uma prece, um clamor, um coro imenso
De ardentes vozes, de convulsos gritos.
É a voz da Carne, é a voz da Mocidade,
- Canto vivo de força e de beleza,
Que sobe desse corpo iluminado...

Dizem os braços: "- Quando o instante doce
Há de chegar, em que, à pressão ansiosa
Destes laços de músculos sadios,
Um corpo amado vibrará de gozo? -"

E os seios dizem: "- Que sedentos lábios,
Que ávidos lábios sorverão o vinho
Rubro, que temos nestas cheias taças?

Para essa boca que esperamos, pulsa
Nestas carnes o sangue, enche estas veias,
E entesa e apruma estes rosados bicos... -"

E a boca: "- Eu tenho nesta fina concha
Pérolas níveas do mais alto preço,
E corais mais brilhantes e mais puros
Que a rubra selva que de um tino manto
Cobre o fundo dos mares da Abissínia...
Ardo e suspiro! Como o dia tarda
Em que meus lábios possam ser beijados,
Mais que beijados: possam ser mordidos -"



****



Mas, quando, enfim, das regiões descendo
Que, errante, em sonhos percorreu, Satânia
Olha-se, e vê-se nua, e, estremecendo,
Veste-se, e aos olhos ávidos do dia
Vela os encantos, - essa voz declina
Lenta, abafada, trêmula...

Um barulho
De linhos frescos, de brilhantes sedas
Amarrotadas pelas mãos nervosas,
Enche a alcova, derrama-se nos ares...
E, sob as roupas que a sufocam, inda
Por largo tempo, a soluçar, se escuta
Num longo choro a entrecortada queixa
Das deslumbrantes carnes escondidas...

domingo, 4 de outubro de 2015

Conversa com um Menino

  - Por que choras? – o Pequeno Príncipe perguntou.
  - Porque sou boba. Boba daquelas que o coração não sabe o que fazer, então chora. – a menina respondeu.
  - Então, por que ele não sabe o que fazer?
  - Porque ele é bobo como eu.
  - Mas por que tão bobo? – insistiu.
  - Porque chora quando não sabe o que fazer.
  - Ora, mas isso é tudo me faz sentir bobo, porque não sei o que fazer para não te ver chorar se não sei por que choras. – ele declarou com sua voz adorável. – Por que choras? – insistiu.
  Quando o Pequeno Príncipe começava a perguntar, só se satisfazia quando todas as suas perguntas eram respondidas. Isso trouxe um breve sorriso aos lábios da garotinha, que se esforçou para responder:
  - Porque tu me cativaste há muito tempo, e estou tão feliz em ver-te e falar-te que não sei o que fazer.
  - Então não faças nada. – ele sentou-se ao seu lado, sorrindo docilmente e seus corações se encheram de alegria.
  Sabia finalmente o que fazer. A menina tateou o bolso do vestido em busca de um pedaço dobrado de papel, e entregou-lhe. O menininho loiro abriu o pequeno presente e gargalhou com a risada mais bonita do mundo:
  - Que carneiro bobo!
  - Não é um carneiro bobo. Não sei desenhar carneiros. É uma ovelha boba! – ainda que não mais chorasse, seu rosto ainda estava molhado de lágrimas, que agora faziam sua face brilhar como a noite estrelada.
  - É uma ovelha boba muito bonita! Obrigada. – seu olhar era terno. – Gostaria de dar-te um presente, mas não sei bem o que seria.
  - Já me cativaste o coração. Não há maior presente. – sorria.
  - Tu também já me cativaste o coração. Assim como cativaste todas as estrelas.
  Puseram-se então a olhar o céu. Era grande e belo como o coração bobo de uma criança.
  A menina deixou cair só mais uma lágrima. Nunca estivera tão feliz em toda a sua vida, porque nunca cativara e fora cativada por melhor companhia do que o Pequeno Príncipe.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Indicação #06 : O Pedido

O Pedido


  Saindo um pouco da linha das interativas e originais, dessa vez escolhi uma fanfic baseada em Teen Titans. Gosto sim e gosto muito, podem julgar (inclusive você, eu do futuro). Gosto de super-heróis e do raro ar cômico que a DC atribui a essa equipe especificamente. Mas, enfim, de volta ao enredo da fanfiction.
  O Pedido mostra uma parte confusa da vida de Ravena, cujas emoções estão um tanto descontroladas, já que uma das mais importantes simplesmente morreu: Felicidade. Então, a titã começa a buscar maneiras para trazê-la de volta à vida. Aviso logo que o shipper é da empata com o Beast Boy, e que se passa em anos mais maduros. A escrita da autora é impressionante e a sensação de leitura é a de ver um episódio.
  Se o leitor apreciar esta história, não pode deixar de ler a sequência Era Uma Vez Uma Família, em que o enredo fica mais profundo e envolve desaparecimento de heróis e conspirações.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Sobre o Cry Baby


 
  Finalmente, o primeiro álbum de Melanie Martinez foi oficialmente lançado! Em uma entrevista, ela conta Track By Track a história da persona Cry Baby, a qual nós, também fãs da Marinão, chamamos de filha da Electra. Uma análise mais cuidadosa dessa entrevista garantirá uma experiência mais rica com o álbum, que a propósito, está incrível.
  A cantora indie se utilizou de sons relativos ao mundo infantil - como bolhas de sabão, bonecas, caixas de música, etc. - para dar um ar característico para cada canção. O CD está todo organizado cronologicamente e a versão deluxe conta com três faixas extras.
  Agora, vamos aos comentários e trechos favoritos de cada música.
 
 
 
Cry Baby
  A música que deu nome ao álbum mostra o quão sentimental a persona é e quanto isso influencia em sua vida.

  "You told yourself that it's not you, it's them."

 
Dollhouse

  Conheci a Melanie por essa música, que costuma ser a favorita das pessoas (e com toda a razão). A canção fala sobre a vida familiar da Crybaby, que é cheia de problemas internamente, mas que se exibem enquanto a melhor e mais feliz família possível. A marcação temporal regular no funda da música encaixa muito bem com a crítica dessa perfeição e constância inexistência.
  Ah! Atenção a parte do "one day we'll see what goes down in the kitchen".

"Places, places, get in your places. Throw on your dress and put on your doll faces. Everyone thinks that we're perfect. Please, don't let them look through the curtains. Picture, picture, smile for the Picture. Pose with your brother, won't you be a good sister? Everyone thinks that we're perfect. Please, don't let them look through the curtains. D-O-L-L-H-O-U-S-E, I see things that nobody else sees."
 

 
Sippy Cup

  Nessa música, nós vemos o que aconteceu na cozinha, exatamente como a persona promete na música anterior. Também segue a linha do "tentar esconder algo não o torna menos real".
 
"All the makeup in the world won't make you less insecure."
 
 
 
Carousel
 
  Começando com sons similares aos antigos estilos de músicas que tocavam em circos, a música fala sobre o primeiro amor da Crybaby.

" Chasing after you is like a fairytale, but I feel like I'm glued on tight to this carousel."
 
 
 
Alphabet Boy
 
  A princípio parece bem engraçadinha, porque os sons são como os de vozes bonecas. Mas depois, vai ficar o tempo todo em sua cabeça (ah-ah-ah-bo-bo-bo-bo). De qualquer forma, a Crybaby mostra a sua frustração com o "Alphabet Boy", que é o mesmo sobre quem ela fala em Carousel. Quem já viveu algo parecido - um relacionamento onde o outro acha que está sobre você porque supostamente sabe mais - costuma gostar bastante dessa faixa do álbum.
 
"I know my A-B-C's yet you keep teaching me. I say fuck your degree, Alphabet boy."
 
 
Soap
 
  Neste Single, a persona expressa seu arrependimento em relação a coisas que disse, ou até mesmo o desperdício de seus esforços em tentar se manifestar. O clipe ficou bem diferente do estilo dos outros, com mais efeitos, mais confusão mental. E o som das bolhinhas de sabão fazem totalmente a diferença.
 
"I feel it coming out my throat, guess I better wash my mouth out with soap. God, I wish I never spoke. Now I gotta wash my mouth out with soap."
 
 
 
Training Wheels
 
  Essa é a produção mais fofa do álbum, cheia de romantismo e embalada com o som de uma caixinha de música.
 
"I love everything you do, when you call me fucking dumb for the stupid shit I do. I wanna ride my bike with you, fully undressed, no training wheels left for you. I'll pull them off for you."
 
 
 
Pity Party
 
  Essa é uma das minhas favoritas. A fotografia do videoclipe é linda demais e consegue entreter mesmo que não aconteça muita coisa. A narrativa é simples, mas conquista. A Crybaby faz uma festa de aniversário com todo o seu empenho, e ninguém, inclusive seu Alphabet Boy, vai.
 
"Did my invitations disappear? Why'd I put my heart on every cursive letter? Tell me why the hell no one is here, tell me what to do to make it all feel better."
 
 
 
Tag, You're It
 
  A partir daqui a vida da Crybaby muda completamente, pois que "os lobos estão a solta" e um deles a captura. Essa é viciante de verdade.
 
"Can anybody hear me? I'm hidden under ground! Can anybody hear me? Am I talking to myself?"
 
 
 
Milk And Cookies
 
  A contagem nessa música é sensacional! Os toques de ironia misturados com inocência é assustadoramente encantador. A história da canção é sobre o dia em que a persona envenena o "lobo" que a capturou na base de leite e biscoitos.


"Do you like my cookies? They're made just for you. A little bit of sugar, but a lot of poison too. Ashes,ashes, time to go down. Oooh honey, do you want me now? Can't take it anymore, need to put you to bed, sing you a lullaby where you die at the end."
 
 
 
I’m so disappointed. Tonight I got my purse stolen from backstage. I had my passport in there, my card, personal shit from my parents, etc. not only is this illegal, but the fact that whoever took it, did it because they look at it as some sort of twisted “souvenir”, makes me SICK. I hate this internet age we live in too, because I reach out on Twitter trying to find who took my purse and all you write is “mom” “Queen” “follow me”. How is that normal?! How is that okay? How do you sleep at night? My friend gives his number out for anyone who might have any info, and people call laughing, asking if they could talk to me, lying saying they have my purse and will give it back if I get their tweet to 2,000 favorites. Really? 
I don’t know how else to say this. I’m sick of artists feeling too scared to speak up on this issue. Just because I make music, doesn’t mean you have the right to dehumanize me. You bully me, you judge me, you call me a bitch If I’m having a bad day, the list goes on and on. I work my ass off for you, I give so much of myself to you, and i go broke to create for you. 
Remember that I am a human. The fact that I was talking to another friend of mine who is an artist and she said that if we were bleeding on the sidewalk, people would probably take a selfie before helping us, is a problem. No human should feel this way. Please understand that I make music to express myself, and if you know anything about me you know that I’m nothing but honest. I love everyone who supports me and my music, and I appreciate it. But after tonight there was no way that I couldn’t speak up about this issue.Pacify Her
 
  Depois de suas experiências, a persona deixa de acreditar no amor. Então, ela deixa de se importar com o fato de destruir relacionamentos, e simplesmente fica com quem quiser.
 
"Someone told me stay away from things that aren't yours. But was he yours if he wanted me so bad?"
 
 
 
Mrs. Potato Head
 
  Essa música já foca na crítica à exigência midiática e social quanto à necessidade do amor e adoração das pessoas baseada na beleza.
 
"Kids forever, kids forever! Baby, soft skin turns into leather. Don't be dramatic it's only some plastic. No one will love you if you're unattractive."
 
 
 
Mad Hatter
 
  Finalmente, a Crybaby consegue se entender e aceitar. Autodenomina-se louca e fecha assim a primeira parte de sua história.
 
"Where is my prescription? Doctor, doctor, please, listen! My brain, scattered! You can be Alice, I'll be the Mad Hatter."
 
 
Play Date
 
  A partir daqui começam as faixas extras, que, a princípio, não tem mais tanta relação com a história da persona. De toda forma, a canção parece bem fofinha, mas expressa a insatisfação da personagem com um relacionamento no qual a outra pessoa apenas brinca com ela.
 
"I don't give a fuck about you anyways whoever said I give a give shit about you! You never share your toys or communicate... I guess I'm just a play date to you."
 
 
 
Teddy Bear

 
  Nessa música, a personagem fala sobre um relacionamento que começa muito bem, mas que acaba caminhando por uma estrada violenta.
 
"Teddy bear, You were my Teddy Bear! Everything was so sweet until you tried to kill me."
 
 
Cake
 
  Essa é tão boa que faz a gente desejar que estivesse no álbum comum - mas tentemos compreender que não é tão relacionado com a história assim para isso. Enfim, a música fala sobre a reação de uma personagem que em descartada e tratada como um pedaço de bolo, por exemplo.
 
"If I'm just a piece of cake, I'm just a piece of cake, then you're just a piece of meat, you're just a piece of meat to me."

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

1984


 
  Não tenho coragem de chamar de resenha. Breves impressões, apenas.
  Sempre tive interesse em lê-lo mesmo sem saber muito bem do que se tratava. Eu tinha em mente apenas que era um livro bom e importante. Na primeira oportunidade, um amigo me emprestou. Para quê, Senhor?! Para quê?! Acabou comigo. Fim.
  A narrativa mostra as experiências de Winston, um homem de quase meia idade que vive em uma realidade pós-guerra. Depois desse acontecimento, o mundo se divide em três países: a Oceânia, Eusrásia e Eustásia. Ele faz parte do Partido, que é totalitário e tem como figura representante o Grande Irmão. Câmeras vigiam todo o país, com exceção de alguns lugares esquecidos entre os proletas e lugares no "meio do nada". A Nação tem a economia planificada e a vida absolutamente controlada e manipulada pelo Partido. Inclusive a própria linguagem do povo, que seria então adaptada para a Novafala, onde o vocabulário, assim como o pensamento das pessoas, é reduzido. A grande questão relacionada a Winston é quando ele começa a discordar desse sistema e, junto a Julia, tomar iniciativas para sua derrubada.
  O leitor é contaminado pelos sentimentos do personagem principal, e sente receio e ansiedade o tempo todo. E quando tudo dá errado, a manipulação mental feita em Winston é assustadora! Faz você pensar em seus medos e até mesmo se perder em seus próprios pensamentos: até que ponto eles são seus? O que é verdade ou não? Por que resistir? (Que algum bom professor de filosofia me explique como eles fazem isso, por favor!) E o final é destruidor! A decepção, o medo, a frustração.
  A leitura foi prolongada porque eu não tive emocional para ler tudo de uma vez. Esse é o livro mais perturbador que li até agora. A sensação de impotência diante de uma realidade alternativa... Como isso é possível?!
  George Orwell, o senhor é destruidor mesmo, hein?!
 
 
OBS1: Não pensem que George era anticomunistas, ele é contra o totalitarismo e a tirania.
 
OBS2: Não imaginem Winston enquanto uma pessoa que você gosta ou admira. Isso vai tornar tudo pior.
 
OBS3: Não morra sem ler esse livro.

sábado, 12 de setembro de 2015

Resenhas de Vidas Secas e Infância

  Selecionei duas obras da obra de Graciliano Ramos para terminar de ler em agosto. Leitura feita, vamos às resenhas.
 
 
 
Vidas Secas
 
  A obra é literalmente seca. Marcada de um regionalismo duro e um tanto animalizado. As falas são quase todas resmungos e sons animalescos, e o discurso indireto livre mostra a simplicidade de seus pensamentos. A personagem mais humanizada é justamente Baleia, a cadela responsável pela catarse da obra. Fabiano é bitolado com soldados e "macheza"; Sinhá Vitória vive a sonhar com um colchão; e menino mais novo quer ser como o pai e o mais velho é curioso e tem mais sentimentalismos que todos na família juntos. É um tanto generalizador e brutal, mas não é como se o autor da segunda geração modernista avaliasse com olhos externos à situação, a partir do momento em que Graciliano passou sua infância no Sertão nordestino.
 
 
 
 
 
 
Infância
 
  É uma autobiografia um tanto enevoada e muito infeliz. A infância foi cheia de violências, nada fácil. A leitura também não é para entreter: é dura. Apesar de ter lido apenas duas obras do autor, creio que talvez essa seja a marca para os livros de Graciliano: a dureza da realidade literária.
  Li-o devido a um trabalho de escola e tive de fazer um ensaio sobre a Violência e a Justiça relacionado a ele, o que foi complicado devido a complexidade e o peso do material, mas foi uma experiência enriquecedora. A maioria gritante de meus colegas de turma não gostou do livro. Não posso dizer que seja meu favorito, mas é uma obra importantíssima. Não recomendo em momentos de peso emocional, é claro, mas é algo a ser lido respeitavelmente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

#BienalRio 2015 - Minhas experiências

 


Esse é o nosso mural de mensagens na sala dos autores. Esperamos que até o dia 13 de setembro ele fique repleto de mensagens positivas! #BienalRio


 
  Até agora, fui ao evento duas maravilhosas vezes e está tudo tão incrível que me senti em casa. A cada ano (ou "biano") que passa, a Bienal do Livro fica um pouquinho mais organizada. É claro que ainda há suas pequenas confusões, mas isso é sempre algo a se corrigir nos outros anos. De qualquer forma, vou falar um pouco sobre as minhas experiências por lá esse ano para que, de alguma forma, você não se sinta tão perdido.
  Primeiro, eu fui em um final de semana para encontrar um dos meus autores favoritos, Eduardo Spohr. Mas, antes disso, havia a necessidade de se passar na distribuição de senhas (que fica na praça central de frente para o Pavilhão Azul). A distribuição começaria às 12h, mas resolvi aparecer por lá umas 11h para me situar e fiquei por lá mesmo, até porque a fila já estava enorme! Depois de pegar a senha, fui a um bate-papo com o autor na Conexão Jovem (Auditório Madureira, Pavilhão Verde), onde os fãs faziam perguntas ao autor, e onde ele nos forneceu um folheto (perfeito, diga-se de passagem) com o prólogo e os dois primeiros capítulos de seu próximo livro: Paraíso Perdido. Por fim, fui para a fila dos autógrafos e tive prioridade, pois que eu tinha a senha. Então, finalmente, peguei o autógrafo, tirei uma foto e ainda tive a oportunidade de falar com o Eduardo, que é um amor de pessoa e super atencioso! <3
   Nessa visitação, meu dia girou em torno do Eduardo, porque fiquei umas três horas em filas e as passagens nos estandes foi bem rápida - levei apenas quatro livros. Mas valeu muito a pena e eu nem ao menos senti o tempo passar!
   Na segunda visita ao evento, fui na intenção de comprar, passear e fotografar. Por ter como homenageados a Argentina e o Maurício de Souza, a decoração ficou bem caprichada. Aliás, boa parte dos estandes foram feitos com ajuda de arquitetos - que trabalharam muito bem, por sinal. Nesse dia, tive um saldo de nove livros. Mas não se deixem levar pela euforia e tentem pesquisar os preços antes de comprar por lá, porque muitos estandes aumentam o preço do livro e depois dão um "desconto" para o preço da obra voltar ao valor normal. Mas também há estandes muito bons que oferecem promoções de cinco ou dez reais. Nesses é um pouco mais difícil achar um best seller, mas pode haver aquele achado precioso. Uma estratégia razoável de compra é estipular um valor máximo - por exemplo, R$40,00, e, então você compra apenas um livro a esse preço e depois só compra livros a preços mais baixos.
 
 
Hoje tem início a maior festa da literatura nacional. Fiquem atentos as nossas redes, organizem o roteiro de visita e estejam conosco. Esperamos por vocês! #BienalRio #EuAmoLer
 
 
  Finalmente, segue uma lista dos meus queridos livros obtidos nesse Evento Maravilhoso.
 
1. O Corcunda de Notre Dame - Victor Hugo
2. Guia Ilustrado Zahar Ópera - Alan Riding, Leslie Dunton-Downer
3. O Retorno do Jovem Príncipe - Roemmers
4. Despertar - Amanda Hocking
5. O Mágico de Oz - L. Frank Baum
6. Rei Arthur - Howard Pyle
7. A Sociedade do Anel - Tolkien
8. As Duas Torres - Tolkien
9. O Retorno do Rei - Tolkien
10. O Grande Gatsby - Fitzgerald
11. O Pequeno Príncipe (A História do Filme)
12. Aprendendo com Peter Pan (eu gosto de coisas infantis e eu coleciono coisas do Peter Pan e do Pequeno Príncipe)
13. Sereia Spirulina e suas Mágicas Aventuras - O Resgate da Baleia (para ler com minha irmã mais nova <3 )

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