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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Bienal Rio 2019: Como Não Passar Aperto



Estamos na metade desta Bienal e ainda dá tempo de você conferir esse evento incrível, mas obviamente, evitando passar perrengue. Já faz três edições que preparo postagens especiais sobre, e essa edição não vai ser diferente. Para conferir a edição de 2017 clique aqui e para a de 2015 clique aqui.

1. Transporte e Horário

Saiba como chegar com antecedência e se for de transporte público se programe para não pegar lotações. Às vezes vamos em dia de semana para pegar uma bienal mais tranquila - e mais povoada por escolas, o que não necessariamente é sinônimo de tranquilo -, mas esquecemos que o BRT, por exemplo, tem horários de pico de lotação com as pessoas que trabalham. Assim, evite ir de 6-8h e voltar às 16-18h.

2. Roupas Confortáveis

Essa é uma dica clássica, mas que mesmo assim muita gente se enrola (inclusive eu). Calça jeans é sempre uma boa pedida pra poder sentar no chão, por exemplo. Tênis confortáveis também, mas não adianta ser aquele tênis novo que você usou por meia hora uma vez e acha que é confortável, é aquele tênis de guerra que você tem certeza que dá conta de andar muito e cuidar dos seus pés.

3. Programação

Veja a programação com antecedência para não acabar perdendo uma presença ou evento que te interessa. É um tanto quanto lamentável estar no mesmo lugar que aquele autor e não poder vê-lo porque não se programou pra isso. Inclusive, dependendo do autor, pode ser bom destinar um dia para ir vê-lo e conhecer no geral o evento, e outro dia só para comprar devido ao tempo que pode levar.

4. Livros

Pesquise o preço dos livros que te interessam antes de ir à bienal e compare o preço dos estandes. Mas se você achar um livro que te interessa a um preço muito barato não deixe de comprar achando que vai achar em outro a 10 reais mais barato, por exemplo. Ora, se já é muito mais barato do que você tinha pesquisado antes, certamente alguém vai notar isso também e levar o livro que você quer. Então, quando você voltar ao estande vai ver que seu favorito não está mais lá e haja frustração. Digo porque vivi.

5. Mapa

Use o mapa do evento e marque os estandes que mais te interessam para que você possa voltar neles sem muita dificuldade depois para comprar seus livros. O mapa do evento também é ótimo para não perder muito tempo estando perdido.



Agora saindo um pouco das dicas, queria fazer uns comentários gerais sobre minhas experiências. Os livros não estavam tão baratos, e os outlets não tiveram achados tão fáceis quanto nos anos anteriores (estavam até mais bagunçados inclusives). Mas, no geral, foi um evento muito bom para me reconectar pelo gosto pela leitura e pra, de certa forma, me reencontrar com uma eu mais jovem (e mais contente).

1. O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder
2. Love Is: Ilustrações sobre o Amor - Puung  (Esse é pra dar de presente 💙)
3. O Diário de Anne Frank - Anne Frank
4. Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley


Bem, é basicamente isto. Tenham um bom evento e me digam o que acharam dele, se as dicas serviram e se vocês têm algo pra compartilhar!


terça-feira, 13 de agosto de 2019

O Menino queDescobriu o Vento: Uma Abordagem Geográfica

  O seguinte texto foi elaborado para uma disciplina da faculdade onde tive que fazer uma resenha de uma produção artística que retratasse um país africano além dos estereótipos. Pensado para sala de aula (ou além dela), coloquei em prática em um pré-vestibular social como uma proposta de aulão e tive bons resultados com os alunos. Espero que seja de bom proveito e, se utilizaras explanações, não deixe de atribuir os créditos e de, é claro, me contar como foi a experiência!


  O filme O Menino que Descobriu o Vento produzido pelo diretor Chiwetel Ejiofor no ano de 2019 é baseado em livro de mesmo nome escrito por William Kamkwamba e Bryan Mealer. A história é real e baseada na vida do mesmo William, que cresceu na vila de Wimbe, no Malaui. Por volta de 2001, uma série de acontecimentos marca sua vida, que passam por questões familiares, políticas, econômicas, culturais, de fome e de criação. Com a crise que se estabelece não apenas em seu povoado como em todo país, William é obrigado a deixar de frequentar a escola. Mesmo assim, ele resiste e com a ajuda de seus primos e dos livros da biblioteca, tem uma ideia inventiva para solucionar o problema da colheita: moinhos de vento para bombear água e irrigar os campos.

  Procurei dividir o filme em seus principais momentos, evitando possíveis “spoilers”, mas abordando os pontos geográficos centrais que podem ser abordados em sala. Sendo assim, o filme é dividido nos seguintes momentos:

  •        Kufesa, o plantio – com a perda de um familiar, sua vida se reestrutura. O clima local quente e seco, marcado por ventos fortes e chuvas torrenciais, define a colheita local. Mesmo vendendo o Malaui grãos excedentes para Quênia e Moçambique, o Estado passa por uma crise econômica que nem o FMI e o Banco Mundial puderam prever.
  •       Kukula, o crescimento – a democracia é narrada como “madeira importada, apodrece rápido”, o que demonstra logo em seguida que a democracia é na verdade uma ditadura disfarçada, com ampla repressão local aos insatisfeitos. Neste momento, compreende-se melhor a organização do país, havendo além do presidente, chefes locais que se responsabilizam pelo seu povo.
  •       Kukola, a colheita – com a falta de chuva não há plantio que cresça, e os preços dos grãos crescem exorbitantemente.
  •       Njala, a fome – um dos personagens diz ser o fim do tempo dos livros para ser o tempo do arado. No entanto, se não há condições biológicas para tal, o arado é em vão.
  •       Mphepa, o vento – por fim, William consegue apoio geral, vista a falta de alternativa das pessoas e a partir da ciência dos livros, pôde-se desenvolver a técnica e reverter as condições. Sendo assim, o tempo dos livros pode ser também o tempo do arado.

  O filme e o livro apresentam algumas diferenças, possuindo o segundo mais riqueza de detalhes. Por exemplo, no livro, é apresentado o fato de a fome ser quase um evento cíclico naquela região do Malaui; além disso, William não recebe apoio além do dos primos até que o primeiro moinho esteja pronto, servindo este apenas para energia elétrica de sua casa. Apenas mais tarde ele consegue desenvolver sua tecnologia voltada para o plantio, alem de poder aperfeiçoá-la conforme oportunidades de estudos foram aparecendo em sua vida.

  É interessante também notar que os momentos se referem à natureza, ao homem e, portanto, às suas relações. Ainda assim, as duas obras mostram perfeitamente que - diferentemente das sociedades ocidentais altamente tecnificadas e afastadas do meio natural -, a aproximação cultural do homem com a natureza permite que a técnica contribua ainda mais com essa interação.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Euphoria: Tão Crua que Dói de Ver (E isso é Bom)

 Se eu tivesse que definir Euphoria em uma palavra seria crua. É uma série crua, feita para ser imersiva e perturbadora. Desviei meus olhos inúmeras vezes da tela, pode ser gatilho para muita gente, mas tem mensagens a serem passadas, embora nem todas tão explícitas. É entretenimento, mas também é feita pra pensar. Daquelas séries que se assiste e se continua pensando sobre um tempo, muita coisa pra processar.

  Talvez o paralelo de Skins dessa geração, já me desculpo previamente por não me privar de comparações. Ora, Skins foi a série adolescente que desconcertou os pais e se tornou a favorita dos adolescentes, tendo impacto nas  redes sociais - com os clássicos gifs em preto e branco da Effy. Mas era evidente a romantização de distúrbios mentais, drogas e relacionamentos tortos. Euphoria mostra tudo isso, de forma ainda mais impactante, e promove uma conscientização além do discurso. As consequências dos atos que os personagens enfrentam são tão impactantes que criam um senso de distanciamento, entende? As cenas  são difíceis de ver.

  Imagino que os pais da geração tem o que aprender da mentalidade da juventude contemporânea. Quero dizer, tem coisas que parecem absurdas pra mim que sou da geração anterior (?), que dirá para os pais. Por exemplo, os nudes são um tema frequente, comum a quase todos os personagens, é usada nos termos da Rue como "moeda do amor", o que pra mim é inconcebível, mas que não é difícil de imaginar como um pensamento recorrente pra alguém que ainda está consolidando suas próprias ideias.

Personagens

Os personagens são aprofundados especificamente um por episódio, embora se desenvolvam também nos outros. Voltamos às suas infâncias e vemos (e ouvimos) suas vidas através da Rue - que é uma excelente narradora. Suas justificativas são mais profundas que um simples "eu quis" ou "estou chateado com uma coisinha em meio aos meus privilégios". Aliás, temos um ou dois personagens que tomam atitudes movidas por isso e são justamente eles os menos favoritos (um deles até o odiado). Este último, é o Nate. É o personagem que mais tem perfil de Riverdale, quase deslocado da série, até que no final as histórias se costuram melhor. Ele só não é totalmente problemático por si só justamente pelo aprofundamento familiar que a história constrói, mas isso não o torna menos desprezível. Já o pai do Nate merecia um fim melhor (ou pior, talvez), o cara tem certamente algum distúrbio, mas não acho que ele vá ter muito mais destaque por não ser parte do núcleo jovem.

  De resto, os personagens são carismáticos e facilmente compreensíveis e adoráveis. Façamos um apanhado por núcleo. Cassie é uma das que mais quero ver desenvolvida nas outras temporadas, seu potencial além do rostinho bonito foi feito pra ser mostrado. McKay eu não quero nem ver perto da Cassie mais, no entanto, ele ainda tem o que crescer, ainda mais com os eventos chocantes acontecidos nessa temporada. Lexi tem sido evidentemente guardada para mostrar-se com destaque na próxima. Há uma quarta amiga do grupo da Cassie, Maddy e Kat - de quem iremos falar já já - que foi bem esquecida também, se não forem fazer nada com ela futuramente, confesso que vai haver certa decepção, afinal, seria apenas uma centralidade de figurante. A Kat é lindíssima que tem sua virada de personalidade conforme se descobre sexualmente. Ela não tem das melhores soluções para os seus problemas e ainda tem o que colocar no lugar em sua personalidade, mas é uma das favoritas da série. Maddy teria tudo para ser a patricinha mimada da série, com a excessão de que ela não é rica, nem branca. Ela é uma lindíssima latina que descobre que pode ser tudo o que quiser se for confiante, e isso é uma mensagem poderosíssima. Se ela não tivesse desperdiçando seu próprio potencial fazendo sua vida girar em torno do Nate. É sério, pra próxima temporada, esteja decretada o fim desse casal e dada a largada do exponencial sucesso da Maddy.

  A forma natural como tratam a transsexualidade de Jules também é admirável, há as dificuldades da infância e algumas poucas situações de preconceito. Mas é evidente que ela já está em outro nível, discutindo questões de feminilidade e sexualidade. A irmã da Rue também já apareceu enquanto personalidade, mas enquanto sua puberdade vai passando, ainda tem muito pra aparecer. O Fez é um cara fácil de empatizar conforme se vê a relação familiar e de personalidade, embora o caráter não seja dos melhores sempre. E a Rue é a coisa mais preciosa de Euphoria. Cheia de potencial e de coisas lindas por ser e fazer, infelizmente passa por uma situação muito difícil com drogas. A situação dela é representada ao extremo sem glamourização nem se quer dos motivos. Espero que a Rue possa realmente se recuperar nas próximas temporadas.

Produção

É evidentemente uma produção que deu muito trabalho pra fazer. A cenografia é linda com destaque pras luzes, de forma que assistir por si só é uma experiência como li em um sábio comentário no Youtube. Ás vezes a iluminação fica muito artificial, mas o compromisso da série nesse sentido é além-realidade, é mais uma coisa sensorial mesmo. O roteiro não me chamou muito atenção como um todo, o destaque é mais para a narração da Rue e da carta da mãe dela no último episódio. Por essas evidências já se dá pra ver que os roteiristas são bons, mas que deixam a desejar na minha opinião nos diálogos. Não que eles sejam antinaturais, mas acho que faltou um pouco do "icônico" que a série oferece em muitos sentidos. E já que falamos nesta palavra, o que falar das maquiagens, não é mesmo? Todas as meninas parecem fadas futuristas ou coisa do tipo. Dá vontade de arrumar uma oportunidade pra fazer igual, afinal a forma como se expressam através dela é fantástica. Por fim, a trilha sonora é impecável, mal terminei de assistir já estava atrás de playlists no Spotify.


A série é excelente e mal posso esperar pela próxima temporada. Ela é um alerta da HBO para a Netflix de que eles estão aí pra dar trabalho, até porque eles preferem investir alto em algumas séries e dar continuidade ao invés de atirar para todos os lados e cancelar um monte que possuía grande potencial.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Me diga como ser artista, mas nem tanto...


  Ontem assisti um vídeo que começava com um poema de Bukowski que dizia basicamente para não fazer nada que não te tire do eixo, que não te seja uma pulsão tremenda. Nunca li nada do velho - com todo respeito, é sabido que este é seu título - além de poemas deprimentes muito típicos de jovens adultos. Mas esse poema que vos falo me encheu os olhos.

  Para minha surpresa o video continuou no sentido de falar que nada disso era verdade, que era preciso disciplina muito mais do que pulsões. Ora, sou eu a dizer isso a mim mesma e a todos os outros a vida inteira, mas quando o narrador me disse aquilo, senti-me ofendida. Isso não faz a arte parecer um produto?

  Talvez haja um meio termo, algo entre o vício e a virtude. Mas é preciso um tato pra reconhecê-lo que desconheço um artista que possua. Um artista tem todos os sentidos expandidos a ponto de êxtase, mas talvez tato seja o menos aflorado deles como uma medida compensatória.

  O narrador continua seu trabalho alegando que o artista que não faz arte é um alguém quase enlouquecido que supre suas necessidades por viver seus próprios dramas. Não seria isso viver artisticamente? Pelo menos até seu próprio drama arruinar sua vida. Talvez eu não estea vivendo meus dramas e minhas artes direito. Ou talvez esteja e só perceba com o passar dos anos.

  O fato é que entre muita reflexão com um vídeo de 10 minutos que me mandava escrever, estou eu aqui escrevendo mesmo sem saber se concordo ou discordo. Uma procrastinação sincera de escrever algo maior, é verdade, mas é uma pulsão semi-disciplinada. Mesmo assim, não um meio termo certamente.



O famigerado: https://www.youtube.com/watch?v=1lTcgSzf0AQ



segunda-feira, 8 de abril de 2019

Livros Lidos em 2018

Livros Antigos, Livro, Antigo, Biblioteca, Educação

  Meus caros, a mim me parece que está cada dia mais difícil ler livros e mais livros, ainda mais quando são densos. Como vocês verão na lista que segue abaixo eu basicamente alternei obras acadêmicas com alguma poesia, um livro espírita, um clássico, e, pasmem, auto-ajuda - acho que sou oficialmente uma adulta. Os favoritos estão em negrito, e como podem perceber foram menos que nos anos anteriores (também é uma relação de proporção entre lidos e favoritos). No geral, foram todas leituras muito produtivas mas rara é aquela que de fato toca o coração, não é mesmo? Bem, então vamos à lista.

01 - Conduta - Espírita - Vieira
02 - O Mito da Desterritorialização - Rogério Haesbaert
03 - Outros Jeitos de Usar a Boca - Rupi Kaur
04 - O Que é a Cidade - Rachel Rolnik
05 - O Lugar do Olhar - Paulo César da Costa Gomes
06 - Tempos Líquidos - Bauman
07 - Paulo e Estevão - Chico Xavier
08 - A Condição Humana - Hannah Arendt
09 - Poesia Brasileira
10 - A Relíquia - Eçá de Queiroz
11- Mobilidade Humana e Identidades Religiosas
12 - #Girlboss - Sophia Amoruso
13 - Os Quatro Compromissos - Don Miguel Ruiz
14 - O Poder do Agora - Eckart Tole
15 - A Elite do Atraso - Jessé Souza
16 - As Veias Abertas da América Latina - Eduardo Galeano

  Agora digam-me vocês: quantos livros leram ano passado e quantos pretendem ler esse ano? Lembrando sempre que quantidade não é qualidade. Inclusive para esse ano, acabei entrando na onda do "1 livro por mês", ciente da tendência do aumento de dificuldade da literatura e da ocupação conforme os anos passam. Este ano, aliás, é um ano de leitura densa e atenciosa para que os frutos possam vir à tona. Por hoje é isto, queridos! Até breve!

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Cindy Macey

Untitled Film Still #21
(American, born 1954)
Cindy Sherman
1978. Gelatin silver print, 7 1/2 x 9 1/2" (19.1 x 24.1 cm)


Ela estava na hora do almoço no primeiro dia de trabalho. Não tinha sido como ela imaginava e todo o encantamento para com a cidade começava a se dissolver. Sua família havia lhe avisado que tudo era diferente, e o tratamento que recebera não havia sido dos melhores até então, mas não poidia simplesmente voltar atrás. Muiuto ainda iria acon tecer, coisas boas esperava, para poder retornar para casa e ajudar a todos. Mostrar que estava certa, não como algo egoico, não era de sua natureza, mas como apresentando uma nova possibilidade. Era preciso continuar, voltar para a bancada e recepcionar com o sorriso que a destacara como funcionária. A maquiagem não er auma metáfora, talvez acreditasse em si mesma se sorrise mais. Ela era mais que uma secretária, era Cindy Macey. Era doce e branda, e amada por toda a infância, coma  juventude não poderia ser diferente. Crescera com vida simples e rural e conhecia pouco do que estava fora de sua circusncrição. Mas estava aberta ao novo, e o convite de não apenas conhecer como trabalhar na cidade poderia ser uma porta de entrada para uma nova realidade. Talvez uma melhor que a sua. Era uma moça flexível, e coisas boas vinham para pessoas boas.

Obs: Este texto é resultado de uma proposta do MoMA através de um curso do Coursera sobre ver além da fotografia.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Subway Portrait

Subway PortraitWalker Evans
(American, 1903–1975)
1941. Gelatin silver print, 6 15/16 x 7 1/2" (17.6 x 19.1 cm)

Às vezes, se deseja tanto um tipo de vida que não se compreende o que ela representa. A vda era boa, não se engane, mas havia sempre algo a se esperar. Quando seu interior esperava algo bom, era um momento a ser registrado, mas quando se tornava uma ânsia receosa do que estav apor vir, o isolamento viria a ocultar essa face mental. Era uma manhã, mas as luzes já estavam acesas a diminuir as pupilas e despertar a força os que se ocultavam na estação de metrô para revelarem-se ao mundo do dinheiro. Era preciso, e não era uma coisa ruim. Dinheiro é bom, trabalho é digno.Assim como quem ia, ele também voltaria. E tinha para quem voltar, pelo que era de uma gratidão imensa. Ou ao menos deveria ser. Indo ao trabalho, saindo do subúrbio para a cidade. Sentar e vender. Talvez girar um pouco na cadeira pra inconscientemente despertar a criança dentro de si, sentir-se melhor consigo mesmo.É que o mundo era maior que sua sala e companheiros de trabalho. Era maior até que seu casamento, sua esposa.Ele a amava, e ela também, mas havia estações de distância entre eles e possibilidades demais que não viveram pelo conforto que não encontravam de jeito algum. As luzes do subterrâneo nunca serão as luzes do mundo.


Obs: Este texto é resultado de uma proposta do MoMA através de um curso do Coursera sobre ver além da fotografia.

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