Neverland não não também não

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Resenha de Orgulho e Preconceito








Vintage
 
 
  Comprei uma edição simples da L&PM Pocket para ler e honrar uma meta do ano. Um fator que me desagradou muito nessa edição foi o texto introdutório escrito por Ivo Barroso. Ele faz um bom resumo da vida da autora, mas a primeira frase foi de cunho machista. Pode não ter sido a intenção, mas se eu fosse Jane Austen, eu me sentiria muito ofendida ao ler "Em 1817, falecia em Winchester, no condado de Hampshire, no sudeste da Inglaterra, uma frágil solteirona de 41 anos, de parcos dotes físicos [...]". Se um dia eu escrever um livro e morrer, prendam a pessoa que fez uma introdução como essa para mim.
  De qualquer forma, escolhi ler este livro simultaneamente com uma amiga minha, para comentarmos sobre e assim fazermos um mini clube do livro (?). Entretanto, ela foi mais compreensível do que eu com a crítica suave de Jane Austen. Eu entendo que para a época, ela revolucionou tudo etc., mas, pessoalmente falando, o livro não me impressionou.
  Em resumo, a obra fala sobre uma família inglesa com cinco filhas. O pai é irônico e inativo, a mãe é escandalosa e pouco controlada, Lydia é impulsiva e individualista, Kitty é uma versão da irmã anterior, Mary é uma moça que busca desenvolver seus talentos e aptidões ao máximo para obter um mínimo de reconhecimento, Lizzy é preconceituosa e tem sempre uma resposta pronta e Jane é otimista e agradável.
  A princípio, a família está preocupado com uma possível morte do pai e a perda da casa para um parente "próximo", mas logo a preocupação se dirige para o casamento de uma das filhas com um homem mais abastado que chega à região. Jane, Lizzy e seus respectivos futuros noivos são os personagens principais dessa teia de encontros, desencontros e bons modos. Aliás, este último é um fator bastante irritante, já que a todo momento os personagens se preocupam com isso.
  Os cenários não são muito bem descritos, ficando a critério do leitor imaginar como bem entender. Esses locais se resumem à casa de um, casa de outro, baile, parque/jardim. Compensando isso, os personagens são muito bem descritos psicologicamente. Ainda assim, a "mudança" rápida do sr. Darcy me incomodou um pouco. Entende-se que o livro aborda a visão de Lizzy sobre ele, mas, de fato, ele tinha algumas falhas de personalidade por ela identificadas, e a partir do meio do livro elas simplesmente desaparecem devido a mágica do amor. Desculpem-me, mas para mim isso não cola.
  Apesar de tudo, os diálogos são de uma pompa irônica muito bem construída. Orgulho e Preconceito flui devagar, mas é um livro que vale a pena ler, porque é um experiência diferente e rica para quem não conhecia esse tipo de romance.



  Segue logo abaixo meus trechos favoritos.

Movies in black and white

- E eu poderia com facilidade perdoar o orgulho dele se o meu não tivesse sido atacado.

- O orgulho é uma falha muito comum, acredito. Por tudo o que já li, estou convencida de que, na verdade, é bastante frequente, de que a natureza humana é especialmente propensa a ele e de que há muito poucos entre nós que não acalentam um sentimento de autoadmiração em relação a alguma qualidade, real ou imaginária. Vaidade e orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam com frequência usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho tem mais a ver com nossa opinião a respeito de nós mesmos, a vaidade, com o que desejamos que os outros pensem de nós.

- O ressentimento implacável é uma mancha num caráter. Mas o senhor escolheu bem a sua imperfeição. Realmente, não posso rir disso.

- Ele é um camarada agradável e lhe deixaria um passa-fora honroso.

- Mas essa expressão "violentamente apaixonado" é tão antiquada, tão duvidosa, tão indefinida, que não me esclarece muito. Aplica-se tanto a sentimentos nascidos de um contato de meia hora quanto a um afeto real e profundo.

- Oh! Como, de todo o coração, lamentava todos os sentimentos de desagrado que encorajara, todas as palavras insolentes que lhe havia dirigido. De si mesma, envergonhava-se; mas, dele, orgulhava-se. Orgulhava-se porque, nua causa de compaixão e honra, ele soubera dar o melhor de si.

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